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5 de abr. de 2010

Academia

Que belíssima obra o filme El secreto de sus ojos, vencedor do Oscar de filme estrangeiro este ano. Aliás, para mim, ainda melhor do que o do Oscar yanque. Há uma sequência de cinco minutos realmente fantástica, segredo dos olhos do diretor Juan José Campanhella. Pois esta cena me fez refletir sobre a vida na cultura do futebol. Algumas poucas cidades no mundo têm o privilégio de conviver neste cenário de forma mais intensa, como em Londres - que possui 12 times profissionais - e em Buenos Aires - que possui oito -; ficarei nestas duas para ilustrar as diferenças e rivalidades. Nestas cidades diversos clubes foram fundados pelas comunidades locais e suas torcidas ganharam os limites dos seus bairros. Se você tem dúvidas por qual clube torce um londrino ou um portenho nativo, basta saber em qual bairro ele mora. Mas você poderá também argumentar que muitos dos ingleses, por exemplo, foram vendidos a magnatas, que os clubes já não mais pertencem às torcidas. Verdade, pois hoje em dia é preciso profissionalizar a administração, principalmente para saldar dívidas e, então, clubes históricos são negociados a magnatas. Afinal, é Inglaterra, Europa, modelo para o mundo. Mas e para os fanáticos torcedores sulamericanos, o que resta se um clube está em apuros? Resta a força da verdadeira paixão vivida nos estádios, razão que as move a cantar e viver e, até mesmo, morrer. Fosse hoje a música entoada pelos argentinos que você assiste no filme, os torcedores lembrariam a história do clube, que chegou a ser fechado, teve falência decretada, mas sobreviveu, em grande parte pela mobilização de sua gente sofrida, orgulho maior de um clube centenário.
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