Quando estudante de Comunicação em fins dos anos 80s, certo momento discutíamos a forma de tratameno e linguagem adequada para um dos temas em voga na época, a AIDS. Muitos comerciais bonitinhos veicularam, bem produzidos, mas que não exploravam a fundo a questão. Pouco se viu algo realmente tocante, exceção uma série de programetes veiculados na TVE São Paulo. De qualquer forma é louvável toda iniciativa de campanhas educativas-preventivas para assuntos polêmicos. Como esta que o Grupo RBS lançou há pouco, “Crack, nem pensar”. Ando distante do meio acadêmico; certamente debates aconteceram a respeito desta campanha, mas nada vi publicado como crítica ou sugestão. À época da AIDS, como hoje, continuo a assistir bonitas propagandas, bem produzidas, mas que não vão a fundo na questão. Você dirá que “ir a fundo” é papel do jornalismo. Sim, mas a propaganda também tem este papel e deve saber cumpri-lo. Nada como polemizar, mostrar a droga como a miséria humana, como a decadência de uma sociedade, como a morte de todos nós. Enfim, dizer como a droga deve ser pensada e enfrentada.
Então você e milhões de brasileiros, receptivos e em horário nobre, sentados tranquilamente em frente a seus aparelhos de televisão, assistem ao lançamento da Nova Skol, porque a vida é redonda e o ambiente retratado é aquele vivido por todos, a miséria humana; com o noivo optando pela latinha e deixando a mulher ferver sozinha na cama; a bandeirinha de futebol sendo xingada de safadinha em off; o torcedor levando uma “mijada” e todos, todos e inclusive ele, sorrindo, porque é a decadência da sociedade; e se você for beber, não dirija, porque é a morte de todos nós.
Como vamos enfrentar as drogas, se nem mesmo a consumida licitamente é pensada?