Mas é claro que podemos viver mais intensamente. Perceba quantas oportunidades você enfrenta durante um dia de vida. Desde ao acordar, já a oportunidade de um recomeço, de uma retomada, de levar adiante as coisas todas que ainda estão pendentes. Não estou aqui a pregar positivismo e sim um realismo natural. Penso que as complicações todas do modo de viver contemporâneo estão a colocar em extinção a raça humana. Mas ainda há tempo de se ser melhor. As dificuldades estão aí e no fundo são boas para seu crescimento, ou você quer viver no mole pra sempre? Outro dia um amigo me disse uma frase verdadeira e intensa quando lhe comentei sobre um problema particular, disse ele “contudo, devemos deixar que as dificuldades surjam do meio, e não do indivíduo”. Aí está. Pense nisso.
O Tite deve ter pensado nisso um pouco depois da metade do segundo tempo de jogo contra o Flamengo. E reverteu uma grande dificuldade do meio com um indivíduo chamado carinhosamente de Andrezinho; garoto criado na própria Gávea, desde os 12 anos de idade, sabe o que é isso? Foram 16 anos de clube carioca. Ao sair do campo de jogo, André (que entre os meus próximos chamo de “meu bruxo”) fala com respeito de seu ex-clube e agradece a oportunidade de estar no Inter, que prefere ser reserva num grande clube do que titular num pequeno. Este é um sujeito que vive intensamente, que amanhece enxergando uma possibilidade de ser melhor. Que pega a bola das mãos do camisa 10 aos 89 minutos e diz “deixa comigo que to confiante”. São homens assim não mereciam a extinção.