30 de nov. de 2009
O fato
Certo dia, depois de passar muito tempo trabalhando, ele sentiu-se cansado, sem energia suficiente para terminar o que havia começado. Sabia ele, desde quando assumiu o compromisso com aqueles que nele confiavam, que seria mesmo difícil finalizar com sucesso. Mas assim são as coisas da vida, as proposições tanto podem ser visões quanto ilusões. Durante a primeira metade do tempo de sua obra a meta foi alcançada, apesar de muitas dificuldades terem sido superadas justamente porque a confiança que ele carregava dos seus ainda estava muito viva e presente em sua memória, o que se traduzia em força e disposição ao corpo. Por onde ele andasse todos o olhavam e diziam: “este é o meu favorito”. Mas era apenas a metade do caminho. Agora, já bem próximo do final, a conclusão já não dependia tão somente dele, por isso o cansaço e a reflexão sobre sua situação. De fato, ele não estava preparado para ser um vencedor como havia pensado lá atrás. Não chegava a ser um fracasso, ou mesmo um decepção. Apenas era mais difícil e exigia mais controle e concentração do que era capaz de prever. Que sentimento estranho! Será que esta fraqueza não seria vergonha de sua incompetência? Isto mesmo, o melhor a fazer era assumir que realmente não estava preparado para o trabalho, pedir desculpas a todos, cumprir com aquele algo que ainda tinha a fazer... e se recolher. E se preparar melhor, então, para o que ainda virá, porque um próximo compromisso sempre está a caminho.