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29 de nov. de 2007

Penúltimo jogo

Não recordo quando foi o último jogo que assisti no estádio da baixada em meio à torcida xavante, antes deste domingo de sol de novembro. O certo é que escolhi um bom momento para retornar. Fosse qual fosse o resultado, só em participar de uma semifinal já seria algo interessante, e marcante. Quando soube que o Brasil tinha perdido o jogo de ida lá em Erechim para o Ypiranga por dois a zero, tive a premonição de uma virada histórica. Deveria ter registrado antes, eu sei... Mas tenho minhas testemunhas. Apesar de ter comentado entusiasticamente com meu pai sobre o que estaríamos a ver neste confronto e de que deveríamos estar lá de corpo presente, ele, um xavante roxo, surpreendeu-se a me ver à porta de sua casa a caminho do Bento Freitas a convocá-lo a fardar-se. Há pouco havia encerrado o jogo do meu time pela tevê, uma despedida do ano em casa com vitória de dois a um sobre o Palmeiras, classificação assegurada para a Copa Sul-Americana e o gol mil do brasileirão marcado pelo nosso capitão e ídolo camisa nove, Fernandão. Eu estava pensando na festa da minha torcida, tirando umas fotos dos xavantes e querendo comentar com meu pai uma defesa fantástica do Clemer quando o Rubro-Negro abriu o placar. Bom, o roteiro era este mesmo, com mais dois gols ainda a conquistar. O sol de fim de tarde ainda brilhava, o vento soprava a favor do time da casa, estávamos no lado da goleira certa. Confesso que minha vibração não era de torcedor e sim de espectador. Eu sentia que aquele era um momento que ficaria marcado para sempre. Uma virada histórica. Eu faria parte dela, junto a meu pai e sua camisa cinco, presenteada por mim. Aquele time de verde não queria jogo e a torcida já estava por se aborrecer e a reclamar. Caia a noite, por sobe as arquibancadas as cores do ocaso davam um pano de fundo bonito. Agora estávamos atrás da outra goleira, veríamos todos os gols de perto. Eis que acontece o momento mais espetacular. A torcida rubro-negra da baixada tem a charanga Garra Xavante e a charanga tem a torcida. Por um instante quase que imperceptível ela parou... para recomeçar com seu toque único, característico, de total interação com a massa: tum tum, tum tum tum tum... e a torcida vibra e o time sente e o segundo gol acontece. Incrível! O adversário protesta falta no começo do lance, para eles levar o jogo para os pênaltis seria a glória. Seria. Pouco antes do terceiro gol, aos quarenta e nove minutos, alguém por perto disse que o Caxias havia vencido o Grêmio na outra semifinal. Domingo que vem será aqui a volta olímpica, com o campeão classificado para o brasileiro da Série C. Sorte aos xavantes. Eu devo retornar só no Gauchão, agora no meu lugar de colorado.